E se o Você Fiscal não encontrar nenhuma fraude?
E se um monte de gente fiscalizar e nenhuma fraude for encontrada? Foi em vão? Acabou o Você Fiscal? Significa que a urna é segura mesmo e a partir de então podemos confiar?

17 October 2014

O preço da liberdade é a eterna vigilância. — John Philpot Curran

Esse é um bom jeito de pensar sobre isso:

Imagine que o presidente do seu banco diz: “mandamos um segurança dar uma olhada nas agências para ver se havia ladrões. Não encontramos nenhum. Logo, não precisamos mais de guardas. O banco é seguro.”

Você depositaria seu dinheiro?

Da mesma forma, fiscalizar eleições só funciona se estivermos sempre de olho.

Se o Você Fiscal não encontrar nada, significa que ganhamos um degrauzinho de confiança nas eleições: de que pelo menos não foi cometida nenhuma fraude tão simples que pudesse ser pega pelo método do Você Fiscal.

O que estamos fazendo por enquanto é fiscalizar o Boletim de Urna. Isso é uma parte minúscula do processo eleitoral completo, que vai desde a contratação dos desenvolvedores do software até a soma do resultado final nos computadores do TSE.

É como se você estivesse checando a segurança das rodas de um trem enorme e só te deixassem olhar um dos vagões.

Outros métodos de ataque ao sistema computacional das eleições (por exemplo, adulteração do software que roda dentro da urna), pela falta de transparência e pela forma como o TSE impede desnecessariamente a criação de mecanismos de recontagem independente, podem ocorrer de forma indetectável, inclusive pela fiscalização do Você Fiscal.

Para estes casos, continuaremos pressionando pelo voto auditável (eletrônico, com obrigatoriedade de evidência física verificada pelo eleitor) e por um sistema eletrônico baseado em hardware e software livres e publicamente auditáveis.

As eleições no Brasil, se não mudarmos o sistema atual, continuarão inseguras, não importa que resultados o Você Fiscal encontre ou deixe de encontrar.

Em miúdos: qualquer potencial afirmação de que o Você Fiscal de alguma forma confirma a confiabilidade do sistema atual de votação eletrônica usado no Brasil ou o endossa é falsa.

Para os casos de fraude que o Você Fiscal consegue detectar, mesmo se não ocorrerem nestas eleições, o único jeito de garantir que não ocorram nas seguintes é continuar fiscalizando.

Se um dia o projeto Você Fiscal deixar de existir, não vai ser por falta de necessidade. É preciso fiscalizar sempre.

Outro ponto a ressaltar é que a simples existência do Você Fiscal aumenta o risco para alguém que queira cometer fraudes usando algum dos métodos detectáveis pelo projeto.

Isso quer dizer que, se não for detectada nenhuma fraude, pode ser que a simples existência do Você Fiscal e a sua participação na fiscalização tenham contribuído para a prevenção.

Juntos, somos um “sorria, você está sendo filmado :)” voltado para quem pensa em fraudar as eleições.

Assim como a presença de um guarda no banco desestimula uma boa parte dos potenciais assaltantes, o que nós desejamos com o Você Fiscal não é que haja fraudes para detectarmos, e sim que não ocorram as fraudes que somos capazes de detectar.

Não encontrar nenhuma fraude, eleição após eleição, na verdade, é o nosso maior sonho. Isso, e ter uma administração mais transparente e mais engajamento da sociedade para que os tipos de fraudes que nós não conseguimos detectar deixem de existir.

Baixe o aplicativo, veja as instruções de como fiscalizar (com ou sem o aplicativo) e participe!

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